Bancos estão sorteando valores altos para você fazer o Pix; qual o interesse por trás disso?

Bancos estão sorteando valores altos para você fazer o Pix; qual o interesse por trás disso?

Com a aparecimento do Pix, novo sistema de pagamento instantâneo, bancos passaram a competir a atenção dos consumidores oferecendo prêmios, como pontos em programa de fidelidade e até sorteio de milhares de reais para quem decidir se cadastrar com eles. Por que as instituições financeiras tem tanto interesse em seus dados? A proposta do Pix é permitir que as pessoas enviem e recebam dinheiro em até dez segundos a qualquer horário do dia, em qualquer dia da semana, incluindo feriados, sem cobrança de taxas nenhuma, para pessoa física. As instituições financeiras estão disputando o cadastro da chave do consumidor, que é uma forma de identificação da conta e pode ser o número do CPF, o celular, o email ou até uma chave digital.

Sorteios de dinheiro
Os bancos estão sorteando valores altos para trazer clientes ao Pix. O Santander tem uma promoção de Meio milhão de reais para o ganhador, o Banco do Brasil oferece R$ 500 mil para pessoas físicas (divididos em 230 prêmios) e o Nubank, R$ 360 mil (seis prêmios de R$ 10 mil e cinco prêmios de R$ 40 mil). Os especialistas em banking e e de relações econômicas internacionais e mercado financeiro, dizem que apesar de bancos perderem dinheiro com a chegada dessa modalidade, a maior preocupação é aderir os clientes existentes e atrair novos….

“As instituições querem trazer o cliente para perto, oferecendo a facilidade dessa chave para fazer com que ele fique como correntista. Acredita-se que o principal ponto dessa disputa seja para fidelizar, não só do cliente que eles já têm, mas conquistar a população e outros bancos.

Bancos querem centralizar negociações

A briga também está em conquistar que o cliente cadastre as chaves com facilidade, como celular e CPF. “Aquele banco que conseguir os primeiros cadastramentos, as chaves mais fáceis, consegue ter um volume de transações maiores, o que para o banco é interessante. O presidente da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital), está de acordo que onde o consumidor cadastrar suas chaves é onde ficará o dinheiro e terá tendência de transacionar mais. Segundo ele, os bancos tentam que um mesmo cliente cadastre todas as chaves com eles para que as outras instituições não tenham chance de apresentar serviços e produtos que possam fazer o cidadão mudar de banco.

As pessoas devem passar a ter mais contas

A tendência com a chegada do Pix é que os consumidores não tenham mais apenas uma conta bancária, mas vários tipos de relacionamento financeiro. “No Pix, você pode ter varias chaves. Usar uma para resolver as questões do dia a dia, outra para o dinheiro que está investido, outra para a conta que recebe o salário. A tendência é que tenha um ambiente mais descentrado. Cada instituição tenta pegar um pedaço desse relacionamento com o cliente para mostrar propostas mais personalizadas.” Agora quem tem o protagonismo é o consumidor. “Antes, a experiência do cliente era ditada pelo fornecedor, nesse caso, nesse caso, os bancos, que diziam ‘vá na minha agência das 09h às 17h’. Isso mudou. Agora o cliente diz como vai se relacionar.”

Incentivos podem ser necessários, dizem especialistas

Apesar de não precisar pagar tarifas, serão necessários incentivos para que o consumidor use essa nova categoria de transferência….

“A tendência é que no Brasil também sejam necessários programas que estimulem para que o usuário mude a forma de consumir ou transferir usando o Pix. Se a instituição dá um benefício ou cria um outro programa, pode fazer com que as pessoas transmigrem para o Pix. Dificilmente deve ocorrer essa migração natural, só pela conveniência de uso, porque as pessoas estão acostumadas a usar os cartões no Brasil.”

o Pix traz benefícios para todos os clientes, porem mais ainda para clientes de menor renda. No caso dos grupos de média e alta renda, a depende do relacionamento com os bancos, pois eles já são isentos de algumas tarifas.

O que diz a FBB?

A Federação Brasileira de Bancos informa que a entrada em ação do Pix deve ter abalo limitado nas tarifas. “Isso porque, segundo pesquisa realizada pela Febraban, 60% das contas transacionais já são isentas desse tipo de cobrança por normatização do Banco Central. Entre as contas restantes, uma parte significativa também é isenta de tarifas em função do relacionamento do titular com o banco ou em funcionamento do pacote de serviços contratado.”

Para a federação, o Pix será uma “oportunidade para o Brasil diminuir a necessidade do uso de dinheiro em espécie em transações comerciais, o que deve reduzir os altos custos de transporte e logística de cédulas em um país de dimensões continentais como o nosso. Somente o custo de logística totaliza cerca de R$ 9 bilhões ao ano. Além disso, vemos maior interesse para os clientes bancários na medida em que o Pix deverá diminuir a necessidade de saques em espécie nas agências bancárias e nos caixas eletrônicos”….

Camaleão

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