Corona vírus: Os dias que causaram o destino da pandemia de Covid-19

Corona vírus: Os dias que causaram o destino da pandemia de Covid-19

Antes de proclamar lockdown na cidade de Wuhan em janeiro de 2020, soberania chinesas declaravam que o surto de uma doença não conhecida estava sob controle, quando, na verdade, o vírus já estava muito além das margens da cidade.

Pedestre andam em Wuhan, na China, em frente ao mercado de animais trancado onde teria começado o surto da pandemia.

Há semanas as autoridades de saúde chinesas vem redizendo que o surto causado por uma doença desconhecida estava sob controle, apenas algumas dezenas de ocorrências ligados a um mercado em que era vendido animais vivos. Naquela circunstancias, entretanto, a praga já havia ido além da fronteira da cidade e se impregnado pelo país.

Esta é a história de só alguns dias graves no início do que se tornaria uma pandemia.

Em dezembro de 2019, muita gente já estavam sendo recebidas em hospitais na cidade de Wuhan com sintomas de: febre alta e pneumonia. O primeiro caso foi de um homem que tinha por volta de 75 anos, e que ficou doente no dia 1 de dezembro.

Muitos dos doentes estavam direta ou indiretamente ligados ao mercado de peixes Wuhan, o que levou os médicos a presumirem que poderiam estar presenciando um novo tipo de pneumonia.

Amostras colhidas do pulmão de pacientes contagiados foram mandadas a laboratórios de processamento genético para que a causa da doença fosse identificada. Conclusões preliminares indicaram que se tratava de um vírus ainda desconhecido, parecido com o da Sars. Autoridades de saúde locais e o Centro para Controle de Doenças do país já tinham sido alertados, porem ainda não tinha se tornado público.

Após informações e pesquisas, hoje presumimos que já houvesse entre 2 mil a 4 mil pessoas contagiadas.

Também é provável que o surto da doença estava duplicando seu alcance a cada dia. Epidemiologistas informam que, no nível inicial de uma epidemia, cada dia e até mesmo cada hora são extremamente críticos.

30 de dezembro de 2019: um aviso

Por volta de 15hrs do dia 30 de dezembro, a comandante da emergência do Hospital Central de Wuhan obteve as decorrências dos testes analisados em Pequim pelo laboratório de sequenciamento genético da Capital.

Ela transpirava ao ler o relatório, de acordo como relatou subsequentemente a uma publicação estatal chinesa.

Em duas horas, a imagem teria chegado ao médico do setor de oftalmologia do hospital. Ele compartilhou com uma equipe de colegas da universidade com um aviso: Não compartilhem esta mensagem fora deste grupo. Enunciem as suas famílias e entes queridos que tomem precauções.

Pequim tentou disfarçar a epidemia de Sars quando ela começou e se espalhou no sul da China em 2002, tentando impor que a situação estava sob controle. E houveram bastante criticas pela comunidade internacional que chegou a impulsionar protestos dentro do país. Entre 2002, 2003 e 2004, a Síndrome Respiratória Aguda Grave contagiou mais de 9 mil pessoas e matou quase 900 pelo mundo.

Nas horas seguintes, imagens da mensagem acabaram se espalhando pela internet e milhões de pessoas já falavam sobre a doença na China.

O laboratório de processamento teria cometido um erro, pois não se tratava da Sars, mas de um novo corona vírus, muito semelhante. Informações sobre um possível surto começaram a se espalhar pela cidade.

Os governantes de Saúde de Wuhan já estavam cientes de que havia algo ocorrendo nos hospitais da cidade. Naquele dia, empregados da Comissão Nacional de Saúde chegaram de Pequim e novas analises foram fornecidas a a cinco laboratórios públicos de Wuhan para que fossem processados simultaneamente.

No mesmo tempo que havia mensagens sobre um possível retorno da Sars se ampliavam no país, o Comitê de Saúde de Wuhan emitiu ordens aos hospitais orientando a mencionar todos os casos diretamente ao órgão e a não emitirem nenhum tipo de depoimento sem autorização antecipada.

Em cerca de minutos, as ordens que eram sigilosas foram vazadas na internet.

31 de Dezembro: cientistas disponibilizam assistência

À medida que a notícia começou a se alastrar, O Diretor geral do Centro para Controle de Doenças da China, começou a receber assistência vindas de vários lugares do mundo.

Naquele dia, o Comitê de Saúde de Wuhan publicou um declaração em que informava sobre 20 casos de pneumonia viral constatado na localidade, sem indício claro, todavia, de que houvesse transmissão entre seres humanos.

Era necessário mais 10 dias até que a China partilhasse o processamento genético do patógeno com a comunidade internacional.

1º de janeiro de 2020: decepção internacional

A lei internacional determina que epidemias de doenças infecciosas que possam provocar sofrimento global devem ser reportados à Organização Mundial de Saúde em 24 horas.

No dia 1º de janeiro, no entanto, a OMS ainda não tinha sido alertada sobre o que ocorria na China.

Dois dias depois, as superioridade chinesas assumiram à OMS. O retorno, todavia, foi vago de que teriam sido registrados 40 casos de uma pneumonia viral de precedente não identificado.

A China garante ter se comunicado frequentemente com a OMS a partir do dia 3 de janeiro. Mas anotações de reuniões de dentro da organização coletadas pela agência de notícias expõem uma realidade diferente e mostram a frustração de empregados de alto escalão da OMS na semana seguinte.

2 de janeiro: enfermeiros silenciados

O número de infectados duplicava a cada dia, e cada vez mais pessoas buscavam os hospitais de Wuhan.

Neste momento, ao invés de estabelecer espaço para que os médicos compartilhassem suas preocupações, a imprensa doe estado começou a uma campanha para silenciar os profissionais de saúde.

Um dos médicos que espalhou a noticia era Li Wenliang, o oftalmologista que relatou e ficou famoso na internet, e que chegou a assinar uma confissão. Em fevereiro, ele morreu de Covid-19.

Um médico que trabalhava na mesma unidade que Li, no Hospital Central de Wuhan, disse aos jornalistas que, nos dias seguintes, “tinha muitas pessoas com febre”.

“Encontrava-se fora de controle. Entramos em pânico, mas o hospital nos disse que não podíamos e nem tínhamos autorização para falar com ninguém.”

3 de janeiro: o comunicado sigiloso

Laboratórios em todo país estavam em uma maratona contra o tempo para fazer o processamento completo do genoma do vírus.

Nenhum laboratório veio a público divulgar o processamento do genoma do vírus. As autoridades governamentais continuaram declarando que se tratava de uma pneumonia viral sem evidência clara de transmissão entre humanos.

Apenas 6 dias depois divulgaram que o patógeno era um novo corona vírus, e, mesmo naquele momento, não mostrariam nenhum sequenciamento genético, o que acabou impedindo que outros países examinassem os dados e pudessem inicialmente mapear a disseminação do vírus em suas regiões.

Camaleão

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